Testemunhos

A experiência de Gabriela

Gabriel Paulino
Escrito por Gabriel Paulino em 13 de março de 2014
A experiência de Gabriela

Gabriela  de frente para Estátua de Nossa Senhora Rainha da PazDesde a minha pré-adolescência enxergava com um certo mal estar e menosprezo todas as pessoas que faziam peregrinações. De fato, era obrigada por minha mãe a participar delas, e às vezes, a vigiar toda a noite na igreja basílica de Arenzano orando ao Menino Jesus. Lá encontrava senhoras idosas e, um pouco menos velhas, que depois das orações noturnas comiam alegremente tirando da própria sacola pães, mortadelas, frango assado e bom vinho.

Pobre Deus – pensava – é esta a peregrinação?

Por esta experiência, as peregrinações nunca teriam feito parte da minha vida adulta. Passam os anos e muito velozes. Encontro-me casada e mãe de três filhos. Sucesso social, boa vida, desejo de aparecer, mas o coração sofrido. O matrimônio não foi como desejava que fosse. Os filhos.. os filhos sentem-se vazios, bebendo o que a sociedade oferecia.

Eu penso que a coisa pior que pode acontecer a uma mãe é ver os próprios filhos se desviarem do reto caminho e, mais ainda, tomar consciência de ter errado na educação, não saber como remediar e onde encontrar auxílio.

É como sentir o vazio embaixo dos pés.

Mas, quando elevamos os olhos chega a mão de onde menos se espera.

Chega um convite a uma peregrinação a Medjugorje… Logo rejeito… Eu em peregrinação? Num lugar pobre sem o mínimo de conforto… Onde a Igreja não é oficialmente presente com sua aprovação. De jeito nenhum.

Verdadeiramente conheci o padre José Sometti, que fala coisas aceitáveis, que poderá dar conselhos úteis, mas em peregrinação nunca !

Passa um mês. Falta um dia para a saída, abro a gaveta e reencontro o programa para Medjugorje, mas o recoloco na gaveta. Mas o que acontece? Estou telefonando a uma amiga que tinha o marido muito doente e digo: “se tiver ainda lugar, vem comigo a Medjugorje?”.

Ela me responde afirmativamente. Ligo para o organizador que confirma dois lugares livres.

No dia seguinte estou pronta às seis da manhã para subir no ônibus que nos levará até Medjugorje. Não sei ainda porque fiz tudo isto. Compreendê-lo-ei depois. Compreendo, sim, mas sempre com dificuldade e lentidão, até se estou chorando de comoção e de felicidade na lembrança daquela experiência. Era minha mãe que queria me consolar. Era Jesus que na subida ao calvário dirigia Seu Olhar sobre mim e me dava a mão para ajudar-me a carregar minha cruz leve, mas que pesava demais no meu próprio ombro.

Em Medjugorje era sempre eu mesma: o hotel não era quatro estrelas, nem três, nem uma, mas apenas meia estrela; um quartinho claro (e eu não conseguia dormir senão no escuro), uma caminha que chorava (ai! minhas dores !), um cobertorzinho não certamente de pura lã virgem. E que frio ! Toalete em comum com dez pessoas e também brasileiras (o padre José Sometti tinha trazido consigo meio ônibus do Brasil).

E o que fazia eu ai? Porque tomei esta idéia maluca? Amanhã certamente tomarei o primeiro avião de volta para a Itália. Se alguém esteve em Medjugorje sabe que o aeroporto não existe, somente na fantasia doida de alguém. Minha companheira fazia todo o esforço para me acalmar. No dia seguinte: frio, nublado, filas sem fim diante dos confessionários; pessoas que caiam por terra pela benção de algum sacerdote, e de tanto em tanto timidamente aparecia um pouco de sol, pálido e insignificante. Mas o padre dizia que o sol rodava! Mas onde rodava? Para completar o dia, padre José, às 10 da noite, põe-se um chapelão na cabeça e propõe, para quem quisesse, sob a chuva e frio, de subir o monte Krizevac.

Pensei comigo mesma: aqui acabei de chegar em uma gaiola de doidos!

Mas o que fazer ? Avião só na fantasia, trem existe a uma distância de 600 km.

O que fazer ? Tenho que fazer vista gorda à má sorte. E, sendo uma pessoa volitiva, no dia seguinte desejo munir-me de paciência e entrar na fila para me confessar.

Três horas de espera batida por uma ventania gelada. Decido de confessar-me propriamente com padre José Sometti para experimentar se ele é sábio ou se alguma engrenagem de seu cérebro não gira bem.

Quebrada! Jesus me abraça… Jesus me sorri… Jesus me perdoa… Jesus me consola… Jesus me compreende. Gabriela soberba, Gabriela cheia de superioridade, Gabriela com o coração endurecido, com o coração sofrido, com as nuvens no cérebro, sem esperança, sem saída… bem vestida, bem alimentada.

Mas onde estava indo, Gabriela ? Um sopro de humildade me toma. Queria desaparecer, esconder-me, renovar-me no coração de Jesus. Entendi quanto deveria mudar, quanto caminho me esperava, quanto teria de “aceitar”. Entendi e agradeço. Caminhei e estou caminhando. Alguma parada me surpreende ainda. Mas recomeço. Aprendi a falar com a Mãe que sentia tanto longe e perfeita demais; não queria confrontar-me com Ela e temia o Seu Julgamento.

E quando voltei a Medjugorje vi o sol rodar, vi a água que sai do joelho de bronze da estátua de Jesus ressuscitado… mas sobretudo sinto a Paz, a Essência, o Amor e agradeço. Agradeço a Jesus que estendeu Sua Mão para levar-me até Maria, agradeço meus amigos de viagem que agüentaram e agüentam até hoje minhas veemências. Agradeço a padre José que me comunicou sua fé, suas certezas vencendo meus medos e minhas superestruturas. Recebi o dom da esperança, vivo a vida de cada dia com seus fardos e suas alegrias, com aceitação e serenidade, porque, no final, entendi que devo aceitar-me do jeito que sou, como o Bom Deus me quis, que devo perdoar-me porque estou certa que Ele me ama e me perdoa sempre.

Trecho do livro: “Lourdes, Fátima e Medjugorje – a mãe convoca e reúne Seus filhos” – padre José Sometti

Salve Maria!

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