Testemunhos

Entrevista de padre Lívio Fanzaga ao padre Francesco Rizzi em 3 de março de 2008

Gabriel Paulino
Escrito por Gabriel Paulino em 19 de fevereiro de 2014

Entrevista ao vivo na Rádio Maria Itália

entrevistaPadre Lívio: Caros amigos da Rádio Maria, como já havia anunciado antes, temos aqui conosco o padre Francesco. Se trata de um jovem padre franciscano que muitos de vocês já encontraram em Medjugorje onde presta serviço no acolhimento dos peregrinos de língua italiana. Padre Francesco escreveu um livro intitulado Medjugorje, o novo mundo de paz, editado pelas edições ares e que vocês podem encontrar em todas as livrarias católicas. Com este livro padre Francesco pretende mostrar como as mensagens da Rainha da Paz estão em perfeita sintonia com a imagem de Nossa Senhora que a Igreja e a liturgia nos oferecem. Se trata portanto de um trabalho teológico-pastoral voltado a demonstrar que o rosto da Rainha da Paz é mesmo o rosto de Maria como nós conhecemos através da fé. Antes de apresentar este livro, me parece justo apresentar um pouco do padre Francesco. Padre Francesco, quantos anos você tem ?

Padre Francesco: Você diz que eu sou jovem, mas nem tanto! Tenho 42 anos.

Padre Lívio: Onde você nasceu ?

Padre Francesco: Nasci em Roma e sempre vivi em Roma. O primeiro encontro com Medjugorje tive a cerca de 20 anos. Então eu era um jovem em busca, e então brincando eu digo que aqueles três dias ali foram para mim fatais porque em Medjugorje recebi a minha vocação franciscana. A primeira vez que fui a Medjugorje era julho de 1988.

Padre Lívio: Vejo que se formou em economia e comércio. Estes estudos você já os completou ?

Padre Francesco: Devo ainda completá-los. Sabem quando voltei pra casa depois da experiência de Medjugorje existe sempre muito entusiasmo e então pensava: mas, talvez o Senhor não queira que eu continue os estudos universitários. Ao contrário, encontrei um frade que me disse: não, não entre na ordem sem antes terminar regularmente os teus estudos. Então terminei a universidade em 1991 e entrei na ordem franciscana.

Padre Lívio: O que te tocou na primeira vez que foi até Medjugorje ?

Padre Francesco: A primeira vez que fui a Medjugorje me tocou a grande paz que se respira naquele lugar, as pessoas que estavam ali, os peregrinos que rezavam, mas me tocou muito também os franciscanos: então o pároco era padre Slavko que guiava as orações e a adoração eucarística. Então talvez aquilo que mais me tocou foi a adoração eucarística, me enamorei dela imediatamente.

Padre Lívio: Como veio a vontade de ir até Medjugorje ?

Padre Francesco: tinha ouvido falar de Medjugorje por alguns de meus amigos. Naquele momento nasce em mim este forte desejo de partir e de ir até Medjugorje. Disse: porque não fazer esta experiência ? Então parti com o carro: a primeira vez que fui sozinho e não conhecia a estrada! De fato gastei quase dois dias fazendo toda a volta pela costa marítima Não se podia telefonar assim facilmente como se pode fazer hoje e em casa pensávamos que eu estivesse perdido. Então ainda existia o comunismo e me diziam que também o fato de levar no bolso o terço era perigoso e podiam me seqüestrar. Uma vez que cheguei na casa paroquial encontrei padre Slavko e lhe perguntei onde poderia dormir. Me indicou um albergue onde fiquei por dois ou três dias. Uma vez que retornei para a Itália pensei que se tratasse de um momento de passagem, mas quando decidi retornar a Medjugorje nos anos sucessivos me dei conta da minha vocação.

Padre Lívio: Portanto a sua vocação franciscana nasceu em Medjugorje ?

Padre Francesco: Sim. Por algum tempo pensei que poderia fazer uma escolha diferente, por exemplo de consagração. Depois compreendi que a minha verdadeira vocação era de natureza franciscana. Prossegui os meus estudos em Roma e depois entrei na ordem dos frades menores.

Padre Lívio: O que pensa no fato de que recebeu a vocação em Medjugorje e que agora recebeu o cargo de prestar serviço exatamente na paróquia de Medjugorje ?

Padre Francesco: Nunca tinha pensado em algo assim: nós de fato nós nos candidatamos a uma província na qual devemos trabalhar. E através da decisão de meu padre provincial, padre Aldo La Neve, eu escolhi poder fazer uma experiência missionária no exterior a serviço da paróquia de Medjugorje. No meu primeiro ano trabalhei também no orfanato de irmã Josipa, enquanto permanecia a serviço na paróquia. Esta minha experiência se prolongou até hoje, e agora já são quatro anos e meio.

Padre Lívio: O que pode dizer destes seus quatro anos e meio de sacerdócio em uma fronteira particularmente desafiadora ?

Padre Francesco: Como sacerdote posso dizer que Nossa Senhora nos ajuda a compreender melhor o Evangelho. Parece estranho, mas eu compreendi o Evangelho graças as mensagens da Rainha da Paz, graças a oração, graças aos locais e também graças aos peregrinos. Quando chegam os peregrinos, vemos que eles têm uma grande fome e sede de Deus. Na Itália notem como as pessoas quando escutam um sacerdote que prega, olham sempre o relógio; aqui, ao contrário, a coisa é diferente porque são todos muito mais atentos, todos escutam de boa vontade a catequese, participam da Adoração Eucarística, e ninguém deixa Medjugorje sem primeiro se confessar. Nós estamos sempre nos confessionários e notamos como todos os dias chegam pessoas que nos dizem que talvez sejam vinte, trinta ou mesmo quarenta anos que não se confessam. Isto acontece todos os dias e para nós é normal. De modo particular quando se iniciam as peregrinações na metade de março até novembro, quando acontece a solenidade da Imaculada Conceição, o festival de jovens, o encontro dos sacerdotes… Os encontros em Medjugorje são tantos e o que impressiona é o número sempre crescente de peregrinos que chegam. O ano passado (2007), segundo o que dizem os dados oficiais, tivemos 2 milhões de visitantes e quase um terço era italiano.

Padre Lívio: No ano anterior (2006) o número de peregrinos era de um milhão e meio.

Padre Francesco: Sim, de fato ocorreu um crescimento notável e quem sabe quantos chegarão ainda neste ano.

Padre Lívio: segundo você diz como podem estas pessoas que entre nós dormem nas nossas paróquias, vão em peregrinação até Medjugorje ? Procuram algo de extraordinário ou é culpa nossa que não as acordamos o suficiente ?

Padre Francesco: Em um livro que li de padre Slavko se dizia que a mensagem mais importante de Medjugorje é a presença de Maria. Medjugorje é seguramente um local de graça, os peregrinos que chegam começam a rezar, sobem a montanha do Krizevac meditando a Via Sacra, se aproximam da igreja e o que encontram ? Encontram uma paróquia!

Padre Lívio: Este fato é fundamental porque dá segurança também no que diz respeito à fé.

Padre Francesco: Certo, e assegura também os sacerdotes que chegam a Medjugorje para que possam celebrar a Missa, confessar e animar os diversos momentos de oração. Nestes anos encontrei milhares de sacerdotes e dificilmente encontrei sacerdotes que ficaram desapontados com a experiência vivida em Medjugorje.

Padre Lívio: Mas isto vale também para os peregrinos: a maioria volta sempre para casa contente.

Padre Francesco: Exato, um pouco como lâmpadas que se acendem.

Padre Lívio: Como explicar este fato ? Também de um ponto de vista arquitetônico em Medjugorje não existe nada de extraordinário, não existe o fascínio que tem Lourdes ou Fátima: existe uma simples igreja e as pessoas voltam contentes para casa.

Padre Francesco: É um milagre espiritual, é a graça do lugar, é a presença de Maria, é a abertura do coração através da oração. Através da Adoração Eucarística se reza com o coração e se abre o coração e assim se verifica uma autêntica renovação espiritual. Tantos peregrinos me disseram: “padre, mudei de vida graças a esta experiência em Medjugorje.”

Padre Lívio: eu sempre insisti no fato de que em Medjugorje existe uma dupla escolha: a escolha dos videntes mas também a da paróquia. De fato em uma mensagem de 1984 Nossa Senhora disse de ter escolhido a paróquia e de querer converter a paróquia de modo que todas as pessoas que viessem a este lugar seriam convertidas. Nossa Senhora parece assim ter escolhido uma paróquia para começar uma obra de renovação das paróquias no mundo. Ora, voltando atrás, constatamos que este programa é amplamente realizado, se pensamos também no número impressionante de sacerdotes que vêm até Medjugorje a cada ano. Nós sabemos muito bem que a paróquia de Medjugorje não é formada de anjos, mas de pessoas humanas com os seus defeitos e os seus limites. O que você acha de particular nesta paróquia ?

Padre Francesco: A paróquia personifica uma obediência àquilo que Nossa Senhora pede. Há mais de vinte anos a cada dia na paróquia de Medjugorje todos rezam o rosário, a santa Missa diária, a Adoração Eucarística, também o programa noturno a cada dia são três horas de oração e além disso nas sextas-feiras a paróquia sobe em oração sobre a montanha do Krizevac e ao domingo na colina das aparições. A cada dia como paróquia em Medjugorje em média são quatro horas de oração mais a Missa celebrada em diversas línguas. A força de Medjugorje, segundo eu acho, vem da presença de Maria e da força da oração. Isto me testemunharam também muitos sacerdotes que vieram a Medjugorje: retornando para as suas paróquias reintroduziram a prática da Adoração Eucarística e viram como as pessoas responderam positivamente. Nossa Senhora nos ajudou a colocar Cristo no centro da atividade paroquial de Medjugorje. Você sabe como Nossa Senhora nos convidou em particular para freqüentar a Santa Missa e para a prática da confissão. Nossa Senhora falando da confissão disse que é como um remédio. Muitos ao contrário dizem: mas eu não tenho nenhum pecado, porque devo ir me confessar ? Ao contrário Nossa Senhora nos ensinou que na confissão nós recebemos força, graça, e luz para o bom combate espiritual.

Padre Lívio: Assim Nossa Senhora organizou a atividade da paróquia em volta da oração católica, isto é, a Santa Missa e os Sacramentos, em particular o Sacramento da Confissão que é em função da Eucaristia.

Padre Francesco: Sim, Medjugorje hoje é conhecida em todo o mundo como o confessionário do mundo, porque o número das pessoas que se aproximam do Sacramento da Confissão é o mais alto com relação aos outros santuários.

Padre Lívio: Eu, na verdade viajei a todos os maiores santuários da Europa mas nenhum santuário pode ser comparado a Medjugorje. Necessita também dizer que as pessoas quando vêem os franciscanos se sentem seguros, também porque o frade é uma figura muito católica. Agora me vem a mente as palavras de Jesus a São Francisco: “Vai, e renova a Minha Igreja.” Portanto noto um particular chamado da ordem franciscana neste compromisso.

Padre Francesco: Eu penso que a vocação de Medjugorje como confessionário do mundo tenha nascido em 2 de agosto de 1981, quando Nossa Senhora convidou as pessoas presentes a tocar o Seu vestido e depois os videntes notaram que o vestido se sujava. Nossa Senhora então responde que o Seu vestido se sujou por causa daqueles que não estavam na graça de Deus, por isso convidou as pessoas a irem até a igreja e se confessarem. Então todas as pessoas foram para a igreja e por dois dias se confessaram. Até mesmo chamaram padres de outras paróquias franciscanas. Nestas coisas se vê como é próprio de Nossa Senhora de ter guiado a paróquia. Se trata de um acompanhamento espiritual de Maria que nos indica como viver a vida cristã e como realizar um verdadeiro caminho de conversão; A mensagem mais importante que Nossa Senhora nos deixou é a conversão diária e convite a escolher a fé a cada dia.

Padre Lívio: não nos esqueçamos que a conversão se concretiza com a confissão. É algo incrível ver filas de pessoas que esperam também três ou quatro horas para confessarem-se.

Padre Francesco: E isto acontece também no inverno no frio…

Padre Lívio: Mas está verdadeiramente em crise o sacramento da confissão como muitos dizem ou estamos em crise nós padres que não dedicamos tempo bastante a isto ?

Padre Francesco: Aproximar-se do Sacramento da Confissão significa fazer a experiência da Misericórdia de Deus. Me agrada falar de Medjugorje também como o lugar da Misericórdia porque os peregrinos que chegam em Medjugorje se encontram com a Misericórdia de Deus através do encontro e da mediação de Maria no Sacramento da Reconciliação. Os peregrinos se sentem acolhidos, amados, perdoados e renascem espiritualmente. Como sabem a cada ano nós temos o festival internacional da juventude em agosto. No ano passado (2007) estavam presentes mais de 40.000 jovens. Se trata de jovens que chegam através de várias experiências pessoais, alguns sozinhos, outros de carona.

Padre Lívio: Eu amo defini-los como “solitários” no sentido que não seguem grupos organizados mas são jovens que vem a procura do absoluto e que procuram dar um sentido às suas vidas.

Padre Francesco: É a experiência que fazem os jovens e que eu fiz na primeira vez que fui sozinho até Medjugorje. Hoje os jovens estão a procura das suas vocações e Nossa Senhora os ajuda a descobrir as suas vocações e aquilo que está no Plano de Deus. Os jovens se sentem assim acolhidos e se trata de uma relação também muito afetiva que motiva muito os jovens e que os empurra a fazerem escolhes também muito corajosas. Não é tão somente um encontro intelectual importante quanto um encontro de corações. Nossa Senhora de fato disse de querer realizar em Medjugorje um local de comunhão de corações.

Padre Lívio: São tantos os grupos de consagração especial que nascem em referência ao encontro com a Rainha da Paz.

Padre Francesco: Em Medjugorje nasceram muitas vocações, é difícil dizer quantas, seguramente centenas. Sempre se ouvem testemunhos de pessoas que em Medjugorje receberam uma vocação especial: seja a vida religiosa, seja a vida claustral, seja na vida ativa, seja na família.

Padre Lívio: Não nos esqueçamos que hoje a família é uma das fronteiras da evangelização.

Padre Francesco: muitas mensagens que Nossa Senhora deixou dizem respeito a família e muitas pessoas encontraram a comunhão e a unidade graças a experiência de oração de Medjugorje. Muitas pessoas testemunham isto: a força de continuar não obstante as dificuldades.

Padre Lívio: Falemos agora da temática da fé: Nossa Senhora nas suas primeiras mensagens disse que veio a Medjugorje para despertar a fé. Hoje verdadeiramente existe o grande perigo que se perca a fé com muita facilidade.

Padre Francesco: Nossa Senhora propõe um caminho de fé simples mas também muito eficaz. Nossa Senhora disse que a fé não pode estar viva sem a oração, por isto nos convida a rezar todos os dias e a pedir o dom da fé e da perseverança na fé, que deve ser alimentada com a oração e com a Palavra de Deus. Também disse de colocar nas nossas casas a Sagrada Escritura e de ler a cada dia um trecho. A fé se nutre também com a prática dos Sacramentos.

Padre Lívio: Você escreveu este livro e eu sustento que os livros sobre Medjugorje nunca são demais. Posso perguntar-lhe o motivo que o fez escrever um livro ?

Padre Francesco: Celebrando as Missas Marianas de sábado, me dei conta usando o missal durante o ano como muitas das mensagens refletem a Liturgia e a Tradição da Igreja. Portanto é claro que nós reconhecemos na Sagrada Escritura e na doutrina do Magistério da Igreja. É verdade que Maria é a senhora humilde e silenciosa, mas é também a mulher forte da qual fala o texto bíblico dos Provérbios, e também tantas figuras bíblicas parecem prenunciá-la como Ester e Judite. Pensando nisso comecei a procurar nas mensagens qualquer referência a Escritura e a Liturgia da Igreja. Isto para demonstrar que as mensagens dadas em Medjugorje não estão em contradição com a Tradição da Igreja.

Padre Lívio: Muita gente infelizmente não faz muito caso, também porque o modo que Nossa Senhora tem de estender as mensagens é muito simples, mas aquilo que surpreende é como as Suas mensagens são plenas da Sagrada Escritura e de Liturgia.

Padre Francesco: De fato a mensagem de cada dia 25 do mês relembra os temas fortes do ano litúrgico. Maria caminha com a Igreja e as mensagens são sempre mensagens litúrgicas que nos falam do tempo que estamos vivendo. Pensemos, nas festas como o Natal, a Páscoa, o Pentecostes…, é verdadeiramente uma catequese pastoral atenta ao caminho da Igreja, uma catequese que dura 27 anos.

Padre Lívio: Vimos portanto qual deseja ser o espírito do seu livro, isto é demonstrar como Nossa Senhora que se expressa através das mensagens dadas em Medjugorje seja a mesma figura na qual a Igreja acredita. Quais são os pontos que você particularmente esclarece ?

Padre Francesco: A mim agrada enfatizar este papel materno de Maria no qual nos exorta a sermos corajosos, a testemunhar a fé e nos convida a uma nova evangelização. Nos chama a sermos apóstolos e discípulos da paz nos recordando que a paz a recebemos acolhendo o Seu Filho como Rei da Paz. Diversas vezes disse: “Os trago Meu Filho, seu Deus, o Rei da Paz.” Nos convida a acolhermos Jesus como Rei da Paz na nossa vida, de modo que possamos nos tornar através do acolhimento de Jesus, instrumentos de paz no mundo inteiro. As aparições e as mensagens de Medjugorje dizem respeito a todo o mundo e são difundidas em todo o mundo: são dezenas e dezenas de milhões de pessoas que seguem as mensagens de Medjugorje. A mim agrada este papel de Maria, e naquele que vem definido como “o tempo de Maria” vemos como Ela saiu em campo e guia os Seus filhos ao encontro com Cristo na Igreja. Ela é verdadeiramente a mulher corajosa, a mãe que nos guia e nos protege dos perigos espirituais e dos assaltos do mal, que nos mantém na fé, porque hoje principalmente a fé está em crise. Ela nos propõe um caminho eclesial de fé na qual está no centro a Eucaristia, o Sacramento da Confissão e o amor pela Igreja.

Padre Lívio: O que me toca é como Nossa Senhora esteja sempre em sintonia com a Igreja. Notei que em Medjugorje Nossa Senhora se apresenta sobretudo como a Mãe da Igreja. Nós sabemos que quando terminou o Concílio Vaticano II o Papa Paulo VI proclamou Maria “Mãe da Igreja”. Em Medjugorje como você colocou em evidência em seu livro, este seu papel materno é extremamente claro, tanto é verdade que nas suas mensagens inicia sempre nos chamando de “queridos filhos.”

Padre Francesco: Me parece importante este convite a acolher a Sua presença materna na nossa vida espiritual. Confiar a nossa vida diária a Nossa Senhora é muito importante. Nossa Senhora tem como tarefa aquela de ser mãe espiritual e mestra na fé. Ela sabe exatamente como ajudar-nos a crescer na fé e como nos guiar ao encontro com Cristo através da Sua presença, do Seu ensinamento e da Sua intercessão materna. Tantas vezes nos convidou a acolhê-la na nossa vida espiritual de modo que – como disse em uma mensagem – através Dela possamos ser guiados na profundidade da vida espiritual. Claramente João Paulo II, o Papa “totus tuus”, é um exemplo eloqüente com a sua confiança diária da vida.

Padre Lívio: Me permito dizer que o seu pontificado foi guiado por Maria. A vida de João Paulo II é uma grande obra-prima de Maria, é o filho que respondeu o chamado da Mãe. Notei que também Bento XVI se torna com o tempo sempre mais mariano.

Padre Francesco: Na vigília mariana do sábado passado o Papa Bento XVI nos convidou a construir esta civilização do amor. O mesmo que Maria nos convida a fazer.

Padre Lívio: Uma vez que nós dois somos sacerdotes, podemos tranquilamente dizer também algo de nós mesmos. Umas das coisas que muitos não sabem é que em Medjugorje, além de peregrinos, vão também tantos sacerdotes. Muitos vão para redescobrir e renovar a própria vocação sacerdotal.

Padre Francesco: Nos primeiros dias das aparições os videntes perguntaram a Nossa Senhora o que queria particularmente dos sacerdotes e Nossa Senhora respondeu: “que conservem a fé do povo.” Nossa Senhora pede aos sacerdotes de administrar os sacramentos, de pregar a Palavra de Deus, de celebrar a Santa Missa e o Sacramento da Reconciliação, de praticar o acompanhamento espiritual. Na Itália muitos sacerdotes me dizem que são muitos os trabalhos nas paróquias e as vezes não existe nem mesmo tempo para permanecer nos confessionários e de permanecer ao menos uma hora diante de Jesus Eucarístico. Os sacerdotes que vem a Medjugorje redescobrem através da oração a beleza do ministério sacerdotal. Quando pois os sacerdotes voltam para as suas paróquias de fato as renovam partilhando a oração a Palavra de Deus e a Eucaristia.

Padre Lívio: Nossa Senhora portanto tem ensinado a nós sacerdotes aquilo que é essencial. Apesar de todos os possíveis compromissos pastorais, Nossa Senhora nos ajudou a descobrir o altar, o púlpito e o confessionário. São estes os três pontos estratégicos com os quais faz a grande batalha pela salvação eterna das almas.

Padre Francesco: Em Medjugorje chegam também muitos bispos. As peregrinações são obviamente privadas porque a Igreja ainda não se pronunciou, no momento em que as aparições ainda estão acontecendo. Vemos também que muitos sacerdotes retornam de boa vontade. Um sacerdote veio a mim chorando e dizia: “por anos eu dizia aos méis paroquianos de não vir até Medjugorje!” Agora ele vem a Medjugorje duas ou três vezes por ano. Se trata de uma experiência muito forte. Um bispo se colocou a disposição para a confissão, confessou por duas horas depois saiu e disse: “compreendi”. Quando chegam até nós os sacerdotes, os convidamos sempre para irem confessar: somente assim é possível compreender a graça que opera em Medjugorje.

Padre Lívio: Todos vêem os corações que se abrem, e isto somente a Graça pode fazer.

Padre Francesco: São já três anos que durante o festival internacional dos jovens nós apresentamos a mensagem da Divina Misericórdia que foram dadas por Jesus a Santa Faustina Kowalska. Nos encontramos neste grande tempo de Misericórdia, de graça e de conversão. Nossa Senhora em Medjugorje não veio para assustar ninguém, de fato, Ela disse que quem reza não tem medo do futuro.

Padre Lívio: Também eu aqui na Rádio Maria apresento o tempo dos dez segredos como o tempo da misericórdia e da graça, o tempo em que se verá o Poder de Deus que abre o futuro em uma perspectiva de prosperidade e de paz. Porque aqui na Itália às vezes se difundem notícias tendenciosas, sobre a atitude oficial da Igreja com relação as aparições em Medjugorje, você poderia resumi-las ?

Padre Francesco: A posição oficial da Igreja é que é permitido ir até Medjugorje de maneira privada porque a Igreja ainda não se pronunciou oficialmente. Também aos sacerdotes é permitido acompanhar os peregrinos até Medjugorje porque a Igreja deseja que justamente se tenha uma assistência espiritual aos peregrinos. Também nós pedimos sempre aos sacerdotes de nos ajudar nas confissões, isto porque Medjugorje não é algo que esteja fora da Igreja mas é uma paróquia que está na Igreja!

Padre Lívio: Também deve ser dito que a paróquia de Medjugorje está em plena comunhão com o bispo e que todos os franciscanos trabalham aqui com a sua permissão. Quando falamos da Igreja entendemos referir-se a Santa Sé, que é a autoridade máxima da Igreja.

Padre Francesco: Sim, existe também o documento oficial da Congregação para a Doutrina da Fé que afirma que as peregrinações até Medjugorje são permitidas.

Padre Lívio: Quero esclarecer em seguida que no livro da entrevista do jornalista Giusseppe De Carli ao Cardeal Bertone, no capitulo no qual se fala em Medjugorje, existe sintetizada a posição oficial da Igreja que é aquela que você disse. Recordo, e que se diga com todo o respeito, que o Bispo local fala de maneira pessoal. Este é portanto o quadro no qual a Igreja deixa que Nossa Senhora semeie e colha os Seus frutos.

Padre Francesco: Existe dizer que muitas vezes o entusiasmo dos peregrinos é também excessivo. Mas isto se pode facilmente compreender porque muitos deles redescobrem em renovam a fé depois de tantos anos, e muitas vezes não conseguem lidar bem com emoções tão fortes. Retornando as paróquias, as vezes, também nos confrontos dos próprios párocos, estas pessoas podem aparecer talvez um pouco agressivas, mas se trata do entusiasmo de uma descoberta. O que é importante é que estas pessoas sejam acolhidas e ajudadas a recomeçar e a trilhar um caminho de fé…, caso contrário terminam por retornar sempre a Medjugorje!

Padre Lívio: Não se deve fazer de Medjugorje a própria paróquia, mas se pode fazer da própria família e comunidade um lugar de oração. Em Medjugorje vêm pessoas de todas as partes do mundo, mas eu direi que a Itália tem, no entanto, um vínculo muito particular.

Padre Francesco: Esta ligação penso que foi fortificada sobretudo durante a guerra da ex-Iugoslávia. Neste tempo a Itália respondeu com grande generosidade e portanto se ligou muito a Bósnia-Herzegovina. As ajudas humanitárias chegam ainda, também porque existe ainda muita necessidade, sobretudo na Bósnia, mas também em Mostar, onde a situação não está totalmente estabilizada e a reconstrução ainda não aconteceu.

Padre Lívio: O vento de Medjugorje solidificou muito estes dois povos.

Padre Francesco: Também porque você fez muito por Medjugorje através da Rádio Maria.

Padre Lívio: Devo dizer que o que fizemos o fizemos também por gratidão. Medjugorje nos dá tanto do ponto de vista espiritual que é muito maior aquilo que se recebe do que aquilo que se dá. Além disso gostaríamos que também os outros recebessem esta grande graça de descobrir Maria na própria vida. Nós como Radio Maria recebemos seguramente muito de Medjugorje, também se deve dizer com toda a sinceridade que nós nunca quisemos organizar peregrinações e que sempre nos abstivemos de qualquer forma de propaganda. O fato de que a nossa rádio permaneça assim fervorosa no tempo é devido a força da fé e a força da fé é devida a força que trazemos de Nossa Senhora e de Suas mensagens. É portanto verdade que a Rádio Maria tem feito muito por Medjugorje, mas é também verdade que Nossa Senhora tem feito muito mais pela Radio Maria, no sentido que a mantém viva, entusiasmada permanentemente jovem e que nos impediu de cair no nível da rotina das outras rádios paroquiais.

Padre Francesco: O testemunho dos peregrinos é extraordinário quando se referem a importância da Rádio Maria na Itália e de como fazem para escutá-la. É um instrumento excepcional…

Padre Lívio: Chegamos ao fim de nossa fraterna conversa com o padre Francesco Rizzi, que muitos de vocês já encontraram em Medjugorje. Permanecerá ainda por mais tempo ?

Padre Francesco: Este é o último ano, o padre provincial me dirá se continuarei ou se terei outra tarefa.

Padre Lívio: Deixemos tudo com Nossa Senhora, Ela comanda! Repetimos portanto o título do livro de Padre Francesco: Medjugorje, o novo mundo de paz.

Padre Francesco: Desejo concluir esta entrevista citando a mensagem de 25 de dezembro de 1992, da qual inspirei o título do livro: “Queridos filhos, desejo colocar todos vocês debaixo do Meu manto e protegê-los de todos os ataques satânicos. Hoje é o dia da paz, mas há muita falta de paz por todo o mundo. Por isso, convido-os a construírem Comigo, através da oração, o novo mundo da paz. Eu não posso fazê-lo sem vocês e, por isso, convido a todos vocês com o Meu amor maternal (para ajudarem-Me) e o restante Deus o fará. Portanto, abram-se aos planos de Deus e aos Seus projetos para poder colaborar com Ele para a paz e para o bem. E não se esqueçam de que as suas vidas não são suas, mas um dom com o qual devem dar alegria aos outros e guiá-los para a vida eterna. Queridos filhos, que a ternura do Meu pequeno Jesus sempre os acompanhe. Obrigada, por terem correspondido ao Meu apelo.” Esta mensagem é programa daquilo que aconteceu e que está acontecendo em Medjugorje; Saúdo portanto a todos os ouvintes e agradeço ao padre Lívio por me ter convidado a apresentar o meu livro na Rádio. Retornarei a Medjugorje nesta semana e meu trabalho será de rezar por todos vocês. Do mesmo modo peço de sermos sustentados pelas suas orações pelo nosso ministério sacerdotal. Obrigado.

Traduzido do italiano por Gabriel Paulino

Salve Maria!

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