Sobre Sabrina Covic

Como o Padre Slavko ajudou em meu engajamento

Para realizar os sonhos que o Senhor fez nascer em meu coração

“Que dizer após isso? Si Deus é por nós quem será contra nós?” (Rom 8,31)

“Queridos filhos, hoje, gostaria de lhes convidar para trabalhar na Igreja. Eu lhes amo todos com o mesmo amor. Para cada um desejo que seja feito o máximo possível. Mas não querem, pois se sentem pequenos e fracos para isso. Devem ser resolvidos e oferecer à Igreja e à Jesus pequenas flores para que, todos possam ser felizes. Grata por terem respondido meu chamado.” (Mensagem de 31 de outubro, 1985)

Sabrina CovicDesde 1989 tenho em meu intimo um sonho: dedicar minha vida ao Senhor, tudo empreender para divulgar as mensagens de Maria e incentivar as pessoas virem, elas também, ter a experiência intensa do Amor de Deus neste lugar maravilhoso que é Medjugorje. Vivia para este sonho, mas me sentia tão pequena e sem experiência; pensava não ser nada, pois era jovem, mulher, não tinha nem dinheiro, nem diploma universitário. Era a filha de um maquinista e uma enfermeira.

Mas o sonho continuava presente. Este sonho não era meu. Pensava que sim, mas, compreendi ter ele começado no pensamento de Deus. Ele deu-me. Era um sonho que somente poderia vir Dele, por que continha tantas impossibilidades fechadas em si mesmas. Foi necessário Deus enviar alguém para abrir-me os olhos às infinitas possibilidades que aparecem quando Ele quer realizar um sonho. Em meu caso este mensageiro foi o Padre Slavko Barbaric.

A primeira vez que estive em Medjugorje foi setembro de 1989. Tinha 22 anos. Permaneci somente um dia e este dia mudou minha vida para sempre.

Nasci na Croácia, mas moro em Paris. Estudei Psicologia na Sorbonne e Teologia no Instituto Católico de Paris, consegui um pequeno trabalho de meio expediente em uma agencia de viagens com interesse em desenvolver o setor peregrinações. Enviaram-me à Medjugorje para passar um dia, deveria encontrar a equipe com a qual iria trabalhar. Fizemos um tour pelo vilarejo, cinco pessoas em um carro de Golf. Estava sentada atrás, deixava os outros passageiros falarem entre si. Fazia muito calor e eu olhava através da janela aberta. Em um momento, tivemos que diminuir a velocidade para atravessar uma passagem estreita. Havia peregrinos por toda parte, velhas casas de pedra, galinhas nas ruas de terra batida, e de repente… acreditei que iria parar de respirar: uma grande bolha fechou minha garganta e todas as lágrimas de meu corpo começaram correr em bica! Fiquei perdida, balancei, não queria demonstrar minha tontura. Não sabia o que me acontecia, mas todas as emoções do mundo estavam em meu coração e acreditei estar prestes à morrer deste sentimento de amor incomensurável que me invadia. Neste instante, o condutor virou em minha direção e disse: “Oh, desculpe, esqueci de te dizer. Acabamos de passar aos pés da Colina das Aparições!”

Apertada entre dois passageiros, no banco de atrás de um carro, acabava de encontrar Maria em Medjugorje. Meu corpo e meu coração sabiam antes mesmo de minha cabeça compreender.

Era um domingo. Entrei na igreja e me esquivei como pude na densa multidão até a estátua da Virgem, lugar que permanecerá meu preferido na igreja Saint-Jacques de Medjugorje. Ao mesmo tempo o padre falava, mas eu não discernia suas palavras, tamanha era a avalanche de sentimentos de uma intensidade inexplicável que me submergiam novamente. Em lágrimas, inclinei-me ao meu vizinho para lhe perguntar quem era este padre. “É o padre Slavko!, murmurou.

Tinha encontrado a presença de Maria aos pés da Colina das Aparições. E, acabado de escutar a voz da Virgem Maria através da voz do Padre Slavko Barbaric.

Retornei à Paris. Devo ser mais precisa: meu corpo retornou à Paris, mas eu, eu, permaneci em Medjugorje. Para sempre.

Comecei devorar todos os livros que pude encontrar, escutar todas as fitas e ver todos os vídeos, encontrar todos os protagonistas; para apreender tudo que pudesse apreender sobre Medjugorje. Para mim, não existia nada mais que Medjugorje, o lugar onde tinha deixado meu coração. Eu me perguntava, como era possível que o mundo inteiro ainda não soubesse. Pouco a pouco compreendi: a única coisa que poderia fazer seria me consagrar à divulgação das mensagens de Maria em Medjugorje, sua presença neste vilarejo, o plano de salvação do Senhor para o mundo através de Medjugorje.

Comecei organizar peregrinações e auxiliar o Padre Slavko. Fui intimidada por ele, pois ele não era de uma abordagem fácil. Como na história do Petit Prince, o padre Slavko e eu “nos conquistamos”. Em meu coração, Medjugorje e o Padre Slavko são uma única coisa.

Na primavera de 1991 a tensão política subia cada vez mais em toda a Iugoslávia e em contra partida a Virgem Maria nos enviava mensagens de apelo à prece pela paz. Eu estava como todo mundo, muito preocupada. Não parava de falar de Medjugorje em meu entorno, eu afirmava que si as pessoas na Iugoslávia escutassem falar dos acontecimentos de Medjugorje, não haveria mais guerra… Tornava-me inconveniente aos meus próximos.

Um dia, meu amigo Goran Milic, na época já jornalista muito conhecido e à quem tinham confiado a direção da Yutel- uma televisão dita independente- telefonou dizendo que me daria uma equipe para ir à Medjugorje fazer uma reportagem para Yutel, uma reportagem que passaria na antena em hora de grande audiência.

Não questionei nada. Eu não tinha nenhuma experiência como jornalista, nunca tinha me aproximado de uma equipe de televisão, nem visto uma câmera de perto, menos ainda uma sala de montagem. Não sabia o que seria necessário fazer, mas estaria dirigindo a realização de uma emissão sobre Medjugorje e a Iugoslávia inteira olharia. Todo mundo escutaria falar das mensagens dadas em Medjugorje, para mim era somente isto que contava. Entrei no primeiro avião e, de Sarajevo cheguei à Medjugorje com um câmera e um sonoplasta.

Hoje existem numerosos meios de comunicação, mas não nesta época. Não pude advertir ninguém de nosso projeto, então, fui diretamente ver o padre Slavko. Contei o porquê de minha visita, ele compreendeu rapidamente e em poucos minutos demos o ponta pé inicial do programa. Quando Goran chegou realizamos as entrevistas de Ivan e Marija, e tivemos uma longa e inesquecível entrevista com o Padre Slavko. A emissão ficou muito bela, mas Satanás era muito potente e, por diversas razões, somente foi exibida após meia noite. Fiquei muito decepcionada. Tinha dado todo meu coração, toda minha energia e não tinha conseguido divulgar as mensagens de Maria.

Depois a guerra começou. Sentia-me miserável, desmoronei.

Em cada instante de minha vida sinto responsabilidade pelas mensagens da Virgem, não paro de procurar os meios de difundi-las, dividir minha experiência, incentivar as pessoas fazerem também esta experiência. Não compreendo existirem pessoas que tenham vindo à Medjugorje, recebido graças em abundância neste local e esperem de outros que não elas a divulgação das mensagens de Maria ao mundo. Não compreendo que as mensagens não sejam o centro de suas vidas!

O Padre Slavko era meu exemplo absoluto, ele era meu herói, dava-me força, me inspirava. Ficava feliz em levantar-me muito cedo pela manhã para ir à uma ou outra das colina, invariavelmente o encontrava, mas já descendo. Ele subia orando e, ao descer, enchia o saco plástico, que levava sempre, com o lixo deixado pelos peregrinos. O Padre Slavko era um verdadeiro franciscano, amava Deus e a Criação inteira.

No começo de setembro do ano de 1992, enquanto a guerra fazia estragos, retornei à Medjugorje. O vilarejo estava vazio. Vi o Padre Slavko e ele me disse somente uma coisa: “Ajude as crianças!” Foi desta forma que engajei-me em um programa de apadrinhamento de crianças vitimas da guerra. Eu era a ponte entre os padrinhos franceses e as famílias croatas. Procurei ajuda humanitária e engajei-me em diversas associações de caridade. Orava sem parar e foi justamente orando que nasceu em mim um novo sonho: organizar uma grande turnê de prece com o Padre Slavko. Organizar em toda a França reuniões de prece com ortodoxos, católicos, protestantes, mulçumanos…

Desta forma, ajudaríamos as pessoas tomarem consciência que paz não é ausência de guerra, que paz é amor, a plenitude do amor. Com o coração cheio de esperança para estes belos projetos, cheguei também em Medjugorje na primavera de 1993 e fui falar com o Padre Slavko. Ele escutou-me com atenção, depois balançou a cabeça dizendo: “O Senhor faz nascer bonitos projetos no coração das pessoas, mas estas pessoas não ousam lhes realizar. Esperam que outros se ocupem, e ficam muito chateadas si não realizam em seu lugar!” Senti-me envergonhada! Estava, eu também, fazendo o mesmo, lhe falando de um sonho e esperando que outros o realizem em meu lugar?

Então, subimos ao seu escritório, olhamos sua agenda e escolhemos datas para o fim de setembro. Desci as escadas e em frente ao presbitério pensei estar definitivamente louca: acabava de comprometer-me na organização de uma turnê de prece pela França para fazer cessar a guerra.

Certamente eu estava louca! Morava com meu marido e minha mãe em um apartamento de 40m² numa pequena periferia parisiense. Eu não tinha nenhum dinheiro, acreditava não conhecer ninguém. Sentia-me um tanto ridícula…, mas não ousei ir novamente ao Padre Slavko e tudo cancelar.

Voltei à Paris, e então, todos os anjos do Céu vieram ao meu socorro. Quando fazemos a vontade do Senhor toda ajuda é enviada. Certo, já tinha lido isto, mas pensava somente ser para os outros. E, portanto o milagre aconteceu. O Padre Slavko chegou no fim de setembro.

Circulamos durante uma semana inteira por toda a França. Encontramos milhões de pessoas, o Padre Slavko incansavelmente falou de Medjugorje, celebrou missas, animou adorações, esteve com padres, religiosos, jornalistas… mas, o ponto alto de todos estes dias foi a grande noite de prece no sábado 2 de outubro de 1993 na igreja de Paris, Saint-Sulpice. Uma noite de prece que teve inicio com anoitecer de testemunho, onde escutamos o Padre Slavko, Monsenhor Claude Frikart (bispo auxiliar de Paris), Dalil Boubakeur (diretor da Mesquita de Paris), o general Philippe Morillon (um padre ortodoxo)…

Saint-Sulpice é uma enorme igreja e estava repleta. Não sobrava um só lugar onde ficar em pé! Milhões de pessoas permaneceram orando durante toda a noite! Meu sonho tinha sido realizado de maneira radiante. Eu sabia, sempre soube, não ter feito, eu, o que quer que seja. Simplesmente fui as mãos que trabalharam para Deus. Ele tinha tudo feito, tudo organizado. Eu, não era nada, além de uma serva qualquer (Luc 17,10), contudo, sentia-me preenchida, tinha feito meu dever.

Durante os meses de preparação compreendi que não poderíamos permanecer estáticos, era-nos necessário um engajamento concreto. Lancei a idéia de organizar uma imensa peregrinação de auxilio às populações mortificadas pela guerra e ao mesmo tempo levar ajuda humanitária. Alguns diziam estar eu louca, gostaria de propor às pessoas irem para um lugar onde havia guerra, mortes… E, portanto, novamente, fui ofuscada pela resposta das pessoas e pela maneira com que Deus faz avançar seus projetos. Os projetos de Deus são loucos.

Esta grande peregrinação dos Franceses acontecida no fim de outubro de 1993 foi outro milagre. O vilarejo de Medjugorje estava vazio e, de uma hora para outra, milhões de peregrinos franceses chegaram de carros, de vans, seguidos de caminhões repletos de ajuda. Eu meu grupo, chegando de avião, tínhamos Madame Christine Boutin, deputada católica engajada, que se tornará ministra.

Então, como fazer para que esta peregrinação fique como um grande momento? O padre Slavko propôs que organizássemos uma Marcha pela Paz. Partimos então de Humac com 1000 peregrinos franceses… uma coluna de peregrinos há perder de vista! O Padre Slavko caminhava à frente de maneira muito decida. Em Medjugorje, Senhora Boutin como representante legítima do povo francês consagrou a França aos corações de Jesus e Maria, durante uma celebração particularmente emocionante.

No dia seguinte, após a missa, o Padre Slavko informou-me que uma equipe do hospital de Mostar havia chegado para pedir ajuda: os feridos chegavam de toda parte e as pessoas morriam por falta de sangue. Frente esta urgência, subi ao altar e expliquei a situação aos peregrinos presentes. A Missa acabada, mais da metade dos peregrinos pôde, desta forma, muito concretamente, dar o sangue para salvar a vida de nossos soldados. Hoje ainda, as pessoas de Medjugorje lembram-se do imenso movimento de solidariedade e generosidade que provaram os Franceses em momento tão crítico.

O Padre François Glénac, padre que batizou minha filha Katarina na igreja de Medjugorje é da ilha de Réunion, sentiu o chamado para apresentar Medjugorje em sua ilha distante. Ele retornou à Medjugorje para o aniversário das aparições em junho de 1995 e então, no carro indo ao aeroporto, decidimos organizar uma grande turnê de prece na Ilha Réunion e Maurice. A grande estrada do “sonho de Deus” começou circular e eu entrei em um turbilhão, tão inconsciente como das outras vezes. Fui ver o Padre Slavko. Juntos, encontramos a vidente Mirjana e as datas foram escolhidas!

E, chegamos à Réunion no começo de janeiro de 1996, o Padre Slavko, Mirjana e eu mesma, acompanhadas de nossos maridos e nossas jovens crianças. Enquanto nossos maridos conduziam-se como pais perfeitos, nós íamos de paróquia em paróquia repetindo incansavelmente o mesmo testemunho.

O resultado foi à altura do que Deus espera quando as pessoas permitem que ele as utilize em seu grande plano! A ilha conta quase 600.000 habitantes, penso que no mínimo 200.000 vieram à Medjugorje- alguns por várias vezes. Um terço da população da ilha! Sonho com o dia em que um terço dos 60 milhões de habitantes da França virá à Medjugorje e se converterá…

De toda forma, não tenho mais medo de meus sonhos, sei que eles podem se realizar, é necessário somente empreender a energia necessária para isso; é necessário simplesmente, deixar-se ser conduzida por Ele, quem dá os sonhos e que, em seguida, os realiza.

De volta à Medjugorje retomei minha rotina de organizadora de peregrinações. Foi então que se aprovou uma lei na França obrigando os organizadores de viagens terem uma licença de agente de viagens. Os organizadores de peregrinações, até este momento, faziam tudo com o coração, mas sem nenhuma estrutura legal. Como sempre, fui ver o Padre Slavko, ele me disse para cumprir os tramites administrativos, para dar o exemplo: “Tu deves dar à César o que é de César.” Foi desta forma que no início de 1997 nasceu a agencia de viagens Sakramento. Desde então, eu sempre segui seu conselho, mesmo quando alguns não compreendem e me acusam de querer “fazer-me agente nas costas da Virgem”.

Na época, eu era jovem e não sabia lhes responder. O Padre Slavko então me disse, com tristeza, não compreender, pois ele também era acusado de qualquer coisa e alguns até diziam que tinha ele escrito as mensagens, mas que não poderíamos fazer nada. Gostaria que ele me defendesse mais formalmente, e na época, eu quis, confesso. Eu o admiro ainda mais hoje, quando vejo tudo o que pôde realizar sendo ele tão frágil e nem sempre compreendido, mesmo por alguns próximos.

Um dia lhe falava de meus problemas em achar um espaço de acolhida para meus grupos, um espaço de encontro para pessoas vindas do mundo inteiro e para quem tivesse interesse de colaborar para avançar juntos, trocar suas experiências, ele me disse: “Ok. Eu compreendi. Pegue a casa de tijolos vermelhos que fica atrás do Cénacle. Voltaremos nos falar nas próximas semanas.” Fiquei tonta. Mais uma vez o Padre Slavko entrava em meu sonho e ia ajudar realizá-lo…

Por causa de estúpidas questões referentes aos documentos da casa este primeiro projeto do Centro da Paz foi por água a baixo. Mas, sabia que seria somente concedido com o tempo. O Padre Slavko não iria me deixar sem solução!

Ao esperar, seria necessário ater-se ao que era bem mais urgente: ajudar o Padre Slavko encontrar dinheiro para colocar em andamento seu projeto do “Vilarejo da Mãe”. Quando o Padre Slavko começou falar do assunto, dizia-se um pouco louco, pois não tinha dinheiro para tal projeto, nem a localização, mas não possuía escolha: ele não podia abandonar estas crianças órfãs. A vidente Mirjana e seu marido Marko- sobrinho do padre Slavko- foram formidáveis.

Eles dedicaram-se completamente no projeto e realizaram um trabalho digno de observação. Com amigos e meu marido, fizemos todo nosso possível para conseguir o dinheiro necessário à construção da casa francesa. Como não tínhamos estrutura necessária para fazer o transito do dinheiro, encontramos uma associação com sede na Bretagne e desta forma o dinheiro chegou à Medjugorje. A casa francesa do “Vilarejo da Mãe” possui a placa: Ker Ana, que significa “a casa de Ana” em bretão. A casa deveria chamar-se “Notre Dame de France”, mas é muito bom ter o nome da mãe de Maria, a avó de Jesus.

Todos se lembram do que ele fazia terça 11 de setembro 2001. Eu lembrarei até o fim de meus dias da sexta 24 de novembro de 2000. Neste dia, voltava do Sacré-Coeur no monte Montmartre onde tive uma reunião de prece com pessoas que os projetos ligados à Medjugorje interessavam. Meu celular tocou… Era Milona de Habsbourg, uma amiga do Padre Slavko.

Ela chorava, dizia palavras incompreensíveis, ria, depois chorava novamente. E depois… por fim, compreendi o que dizia: “Sabrina, ele morreu! Tu me entendes, Sabrina, Slavko morreu há pouco tempo!” O ar me faltou! Acreditei que iria morrer neste instante. Nunca senti novamente tal sentimento de dor intensa e total, e ao mesmo tempo não queria compreender o que ela dizia. Eu estava com um sentimento de desespero completo. Não era possível, não ele, Slavko era imortal, não podia morrer…

Foi-me necessário aprender viver sem meu amigo, sem aquele que era meu farol, aquele em quem podia contar para as pequenas e as grandes coisas, aquele que tinha acreditado em mim, quem tinha encorajado meus projetos, quem tinha feito as perguntas certas no momento certo sem nunca permitir-se criticar. Viver sem aquele que me ensinou voar sem ter medo. Acreditei morrer com ele, até o momento que compreendi ter ele somente ido antes para nos preparar o lugar. Slavko está no Céu. Ele deu sua vida para Maria, ele deu sua morte também.

Hoje, temos objetos que pertencem ao Padre Slavko, livros que ele escreveu, fotos, vídeos, obras… mas durante anos senti-me órfã, absolutamente só. Tomei más decisões, não tinha ninguém com quem falar ou então, as pessoas compreendiam ao contrario, imbuídos em seus próprios sofrimentos. A Virgem Maria disse: “Vosso irmão Slavko nasceu no Céu e ele intercede por vós.” Levei ao pé da letra, comecei lhe falar e ele começou vir em meus sonhos. Sonho com freqüência com o Padre Slavko e nestas manhãs gostaria de não acordar, gostaria de permanecer em sua companhia.

Em meus sonhos, o Padre Slavko não fala em palavras, provavelmente porque já quase no final de sua vida não nos falávamos mais por palavras. Em efeito nos falávamos com os olhos. Eu chegava da França e seu olhar dizia: “Tudo bem?” e, eu lhe respondia balançando a cabeça. Ele fazia um sinal com a cabeça para perguntar: “E em casa, tudo bem?” e eu lhe respondia através de outro balançar de cabeça. Então, me sorria, tocava meu ombro e depois continuava seu caminho.

Em um dia particularmente penoso compreendi ser necessário não contar com os outros, pois estes poderiam me decepcionar. Era-me necessário contar com a ajuda da Virgem Maria e Ela estaria presente desde o instante solicitado. Mirjana me tinha repetido várias vezes, mas com muita freqüência escutamos as palavras, não seu significado.

Depois, parei de lamentar-me por o Padre Slavko não estar mais presente para ajudar concluir o grande sonho do Centro da Paz. Voltei em sua tumba e lhe contei tudo: tinha escrito muitas coisas em uma folha de papel… Pedi sua ajuda, assim, como si ele estivesse ali sentado próximo à mim e eu pudesse tocá-lo. E sabes o que? Ele deu-me esta ajuda. Inspirou amigos emprestarem-me a soma necessária para a construção deste centro e enviou pessoas competentes para que tudo se realize. Tudo foi dado, como no tempo de vida de Slavko. Enquanto o Centro era construído pedra por pedra, outros projetos apareciam.

Meu amigo jornalista Goran Milic veio à Paris em fevereiro 2010 para uma série de reportagens sobre a França, e falamos novamente de nossa reportagem realizada sobre Medjugorje em 1991.

Tivemos vontade de recomeçar a experiência, mas fazendo uma reportagem para a televisão da Croácia, para que a emissão passe em uma hora de grande escuta. Eu estava na mesma situação de 19 anos atrás, mas com, atrás de mim, 21 anos de experiência, de preces, de felicidade, de esperança e por vezes também de lágrimas. A emissão foi filmada no início de agosto e deve passar próximo à Páscoa.

O Centro de Paz que o Padre Slavko gostaria de ajudar-me criar está agora construído, fica no caminho para o Vilarejo da Mãe. Outros projetos estão nascendo. Sei que não vêm de mim, sei que eles somente podem vir de Deus, e si Deus precisa deles Ele os realiza e caso contrário, tudo bem. Sinto-me tão pequena, pois conheço minhas fraquezas, mas desta vez estou pronta, pois não tenho mais medo.

Tradução do francês para o português e revisão: Maria Sara de Souza Leôncio

Salve Maria!

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