De terrorista a sacerdote depois de conhecer Medjugorje

ex terrorista Em 1989 o Papa enviou um bispo de sua confiança para receber informações sobre os acontecimentos. O bispo se dirigiu ao padre Jozo, que foi o pároco de Medjugorje no inicio das aparições. Este o respondeu: “é impossível, monsenhor, relatar ao papa tudo o que a Virgem está fazendo aqui, porque cada pessoa que vem recebe algum milagre. Teria que interrogar a todos!”

Publico em minha revista inglesa os milagres da Virgem e o pároco de Medjugorje o sabe. Um dia em que estava diante da Igreja de São Tiago, me disseram:”Chegou um jovem do norte da Irlanda, ex-terrorista do IRA (Irish Republican Army = exército da república da Irlanda). A Virgem o converteu e agora quer ser sacerdote. Se queres conhecer os detalhes, dirija-se ao padre Slavko, assessor de imprensa”. O padre Slavko me disse: Você fala inglês. Tenho uma fita cassete com a entrevista que lhe fiz”. Mas logo parou: “Espere um momento. Ele está aqui… Vou buscá-lo”. Depois de um tempo apareceu com um jovem de cabelos avermelhados. Nos cumprimentamos. Era o primeiro homem do IRA que eu conhecia em minha vida.

O perguntei se estava disposto a me conceder uma entrevista e que lhe tirasse uma foto. Ele aceitou.

O padre Petar começou o Rosário em preparação para a aparição e a missa e eu comecei a minha entrevista. Me veio a mente que poucos meses antes, alguns italianos que moram em Belfast tinham se oferecido para colaborar com o nosso jornal. Que coincidência que o primeiro colaborador da Irlanda fosse nada menos que um terrorista convertido do IRA.

Minha história como terrorista

Me chamo Marcos Lenaghan. Estou estudando teologia no seminário da congregação missionária de São José em Dublin. Nasci em 1961. Tenho 28 anos.
Estudei a história da Rússia, política soviética, filosofia marxista e ateísmo. Estava contra Deus, contra a fé e conta a Igreja. Foi então que comecei a participar como voluntário no exército do IRA.

Eu como garoto em 1973 tinha me alistado e colaborava distribuindo panfletos e desenvolvendo atividades adequadas a minha idade.
Em 1979, aos 18 anos, decidi entrar definitivamente na instituição do IRA. A partir deste ano a minha participação foi relevante. Quis ser membro da Active Service Unit (Unidade de Serviço Ativo). Neste período, a situação no norte da Irlanda era extremamente tensa. Apesar de ter calculado friamente todas as conseqüências, decidi, consciente do que estava fazendo, me colocar completamente ao serviço do IRA. Provavelmente vocês nunca escutaram falar das diretrizes morais que regem o IRA. Temos que ser homens duros para lutar em favor da liberdade, da fraternidade e da paz. Mas dando uma olhada em retrospectiva, vejo somente ódio, vingança, agressão e brutalidade. Quando eu comecei os treinamentos, encontrei estas características nos homens que nos controlavam.

Fiz a minha primeira atuação no batalhão de punição. Nesta época feri um sacerdote que era contra o socialismo russo.
Depois fui incorporado no exército propriamente dito, onde nos treinaram para manejar armas pesadas e leves, metralhadoras, bombas de mão, explosivos. Estávamos sempre prontos para matar, assassinar a qualquer nosso inimigo e supostamente aos homens da British Security Forces (Forças de segurança britânica). Durante anos estive envolvido seriamente nos ataques contra o exército britânico.

Um dos principais fundamentos do IRA é que quanto você mata, você não deve ser o fuzil que o faz, mas o teu coração. Deve ser você e não tanto a sua arma o que liquida todas as forças e emoções. E assim se passava em realidade. Eu participei em atentados selvagens, violentos, destrutivos. Foi um banho de sangue. Matamos muita gente. Eu estava cego em meu coração! Chegamos a tal grau de depravação, que os massacres nos deixavam indiferentes, como o açougueiro no matadouro. A este ponto tinha chegado a nossa falta de sentimentos com os outros, enquanto que um simples corte em nosso corpo era suficiente para nos fazermos ficar com medo.

Depois de um atentado terrorista, 12 anos na prisão

Em 15 de fevereiro de 1982, acabava de terminar um atentado em Falls Road em Belfast. Tínhamos ferido um soldado e estávamos nos afastando em uma moto. Eu tinha me sentado no assento traseiro com o meu fuzil. Na volta nos deparamos com um posto de controle do exército britânico. Um soldado apenas viu o meu fuzil, disparou a sua arma, mas não me matou porque a moto patinou e nós dois caímos no chão. No tribunal o soldado confirmou que teria me matado se a moto não tivesse caído. Agora compreendo que aquele foi o momento em que Deus interveio em minha vida.
Fui ajudado por meu amigo, mas os soldados me levaram para a cadeia em Belfast. Nos interrogaram e nos condenaram a 12 anos de prisão no pavilhão H. No cárcere continuava comprometido com os planos do IRA, pois me coloquei no território mais difícil, que é o da espionagem. Eu estava a par de todos os planos, truques e programas de conspiração do IRA e os apoiava, dedicando a eles a minha energia.

Páscoa de 1984. Uma mudança profunda

No cárcere tive o meu primeiro encontro com a realidade de Medjugorje, que produziu um impacto que revolucionou toda a minha vida.
A ocasião foi a Missa de Páscoa. Me recordo que na prisão a missa foi sempre um boa ocasião que os militantes do IRA tinham para se reunirem. Se aproveitava para transmitir informações, projetos, mensagens secretas. O IRA usava nada menos do que a Missa, algo tão santo e divino, para organizar os seus atos de barbárie. Um paradoxo satânico.

Também naquele dia, como sempre, eu não tinha nenhum interesse pela Missa. Eu a esperava unicamente para dar e receber informações. O padre Kelly, capelão da prisão, começou a falar de seis jovens da ex-Iugoslávia que viam a Virgem. Nós ríamos, mas ele seguiu falando das pessoas moralmente perdidas, submersas em pecado, que ali tinham se convertido. Dizia que Medjugorje era um oásis de perdão, de redenção, de ressurreição para as pessoas que tinham caído, que estavam feridas, machucadas, mortas, perdidas, sofridas, abandonadas por todos. “Era suficiente que se abandonassem nas Mãos de Deus, que confiassem em Sua Bondade, em Seu Perdão, em Sua Misericórdia e O escutassem.”

Era um desafio muito, mas muito, muito difícil para mim. Eu nunca tinha rezado, não conhecia o Rosário, não sabia o que era a Missa, não conhecia nada de Cristo, nada de Deus. Nunca me interessaram tais coisas. Eu era igual a meu pai e a minha mãe. Neste momento me dei conta de que eu estava diante da verdade da vida. Por isto, terminada a Missa, parei o sacerdote. Disse a ele que queria saber mais sobre Medjugorje. Ele me olhou e tive a impressão de que ele não acreditou em mim. Era lógico. Como poderia acreditar em um terrorista convicto como eu ? Me disse: “Se queres mais dados, posso te colocar em contato com as pessoas que te podem dar. Podem te mandar livros e folhetos. Muito bem – eu respondi. “Se quiseres podes fazê-lo”, me disse. Este foi o momento decisivo para a transformação radical de minha vida. Era como abrir lentamente uma porta que com o tempo se abria totalmente. Mas neste instante eu me sentia muito confuso, meio tonto, e tremia pela proposta que tinha aceito.

O sorriso de uma vidente me convenceu de que tudo era verdade

Assim me chegaram na prisão folhetos e livros sobre Medjugorje, que comecei a folhear. Recordo a foto de Vicka, a vidente. Olhei bem o seu rosto e em seguida tive a sensação de que o que dizia aquele rosto era verdade e que de nenhuma maneira mentia. Me deu a impressão de que ela estava sofrendo e que verdadeiramente via a Mãe de Deus.

Eu fui abrindo lentamente minha mente e meu coração a Medjugorje e previa os problemas que isto poderia me acarretar. Os prisioneiros do IRA me apertavam continuamente para me fazer compreender que o que eu estava fazendo era um disparate.

De minha parte, comecei a refletir no que significavam nossos estragos terroristas diante de Deus e como Ele via todas as coisas imorais cometidas em minha vida. Pensava também nos segredos tão sérios que a Virgem tinha entregue aos videntes, na realidade da existência de Deus, na força de atração que tem a bondade e o amor. Contudo, não podia deixar de me perguntar como um homem de minha laia, acostumado a semear o terror com minhas bombas, podia acalmar a sua consciência com argumentos tão simples da Misericórdia de Deus, de Seu Perdão, da reconciliação com Ele. Me pareciam obstáculos grandes como montanhas no caminho de minha nova aventura.

A dificuldade maior que eu encontrava era a multidão e gravidade dos meus pecados. Se eu não retroceder ou me desesperar neste caminho de redenção foi somente por conta da Bondade de Deus e de Sua Mãe não o permitiram. Me fizeram compreender que eu estava enfrentando nada menos que a verdade, que eu podia aceitar ou também rechaçar. Assim pude crescer no conhecimento de Deus e no desejo de mudança, enquanto as dificuldades iam desaparecendo pouco a pouco.

Entre Deus e o IRA, eu escolhi o caminho da conversão

Chegou o tempo de tomar uma decisão definitiva. Tive que me dar demissão do Irish Republican Army. Somente Deus sabe o quanto me custou isto.
Comecei a rezar e a difundir na prisão as mensagens da Virgem. Distribuía folhetos e recortes sobre Medjugorje para os presos. Alguns ex-companheiros aceitaram, outros não, eles eram muito céticos. Naturalmente não faltaram os que se enojaram fortemente e criticaram àquilo que eu estava fazendo. Alguns dos que aceitaram começaram a me ajudar na reprodução do material escrito. Creio que eles continuam a fazê-lo ainda agora fora da prisão e ademais, participam de grupos de oração. Há aqueles que seguem presos, mas trabalham para Medjugorje, porque encontraram ali a verdadeira paz e amor.
Nas prisões houve autênticas conversões. Eu mesmo descobri lá o valor da Missa, da Eucaristia, da oração e da Bíblia. Formamos um grupo e começamos a ler a Bíblia. No começo, com bastante apreensão e até medo. Mas a história de David, com sua carga de pecador assassino e adúltero me fez compreender que Deus ama a todos, também aos filhos que tenham se afastado muito Dele. Experimentei o poder da oração. Quando me levaram preso, soube que minha família e muitas freiras rezavam continuamente por mim e conseguiram a minha conversão. Por meio da oração se manifestam o Poder e a Bondade de Deus.

Depois de oito anos, eu estava livre

Me soltaram na Páscoa do ano passado (1988). A primeira coisa que fiz após recuperar a liberdade foi vir até Medjugorje para agradecer. Em agosto pude organizar a viagem. Chegar em Medjugorje, foi como aterrisar na casa paterna, depois de ter lido tanto sobre este santo lugar e o tenha vivido em meu coração. Em seguida fui visitar Vicka e Marija, porque desde que vi a foto de Vicka compreendi o seu papel de embaixadora da Virgem e em Marija admirei a doçura de sua espiritualidade.

Meu caminho até o sacerdócio

Foi através da Eucaristia como comecei a compreender a grandeza de Cristo e comecei a me sentir atraído por Ele, presente na Missa. Falei disso com o padre Kelly na prisão. Ele me falou das grandes responsabilidades que um sacerdote tem com o povo e da necessidade de uma grande humildade diante de Deus. Também me explicou que o sacerdócio é um dom, mas não é para todos. Se um o recebe, deve aceitá-lo com grande humildade. O padre Kelly me acompanhou no discernimento. De dentro das cinzas do meu desastroso passado, ele soube descobrir este dom. Tive um ano de formação religiosa e três anos de estudo de filosofia, porque o que eu tinha cursado anteriormente era a filosofia marxista.

Comecei a estudar na prisão. Quando regressar à minha casa, iniciarei o estudo da teologia. Medjugorje me fez compreender que os terroristas como eu, os soldados do exército britânico ou qualquer pessoa caída muito baixo no barro moral são vítimas de si mesmas, de sua psicologia, mas também da reinante situação social, econômica e política. Deus sente compaixão de todos e quer ajudar-nos, quer que nos levantemos e voltemos para Ele como filhos sempre amados.

Os que antes eram inimigos se dão as mãos em Medjugorje

Na Páscoa de 1989 eu estava sentado ao lado da cruz que fica próxima a igreja de Medjugorje, quando se aproxima uma garota e me diz que tinha um senhor inglês que queria me ver, porque tinha ouvido falar de mim. Me contou que tinha sido soldado em Belfast e vivido uma experiência religiosa parecida com a minha, alguns anos depois de ter servido no exército britânico. Conversando, pude descobrir que ele tinha estado prestando serviço em Falls Road durante o atentado que envolveu também a mim e que foi a causa da minha prisão.

Para a maior parte das pessoas, mas não para a Virgem, é muito difícil entender como dois homens com culturas, moral e tradições tão diferentes, um do IRA e outro do exército Britânico, que ainda em 1982, se atiravam para matar-se, em 1989, aqui, neste solo bendito da Virgem, puderam dar-se um forte aperto de mãos como sinal de mudança radical e amizade graças à Mãe Celestial, a Rainha da Paz.

Fonte: livro TESTEMONIOS SOBRE MEDJUGORJE – Mario Danelon – Ediçoes Bonum – 2006

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1 comentário


  1. Muito emocionante, testemunhos edificam a fé. Fico feliz em saber que um soldado deixou as armas e abraçou a Cruz de Cristo.MIR, MIR,MIR. Deus abençoe a todos.

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